EUA realizam intervenção militar e criminosa na Venezuela

Epigrafia do totalitarismo ideológico e militar e  histórico do imperialismo estadunidense

Com a confirmação do  sequestro criminoso do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA, os próximos alvos, após a destruição da soberania venezuelana, serão certamente o Brasil e a Colômbia. Estes terão, inicialmente, seus regimes questionados e, posteriormente, destituídos via processos eleitorais controlados pelo poder financeiro, jurídico e midiático pró-imperialista. Na impossibilidade de derrotar os atuais governos do Brasil e da Colômbia nas urnas, seguirão as ações intervencionistas golpistas, seja por intervenção militar direta, seja articulada com as burguesias nacionais e forças militares controladas pelos EUA. O sinal é amarelo para Brasil e Colômbia; no caso de Cuba, é vermelho.   

 Por Fausto Antonio (*)

O bloco atlanticista, no cerco à Venezuela, mira dois triângulos opostos aos seus privilégios econômicos, militares e de domínio totalitário no espectro global. A OTAN, comandada pelos EUA, não desistiu do domínio global, a despeito das derrotas em várias frentes na Ásia e África. No momento, com a escalada armada contra a Venezuela, os EUA atualizam a política de ataques aos países que compõem os BRICS, numa atuação arquitetada por tarifas, sanções e intervenções golpistas híbridas e financiadas. Saquear os recursos petrolíferos venezuelanos, sob a alegação infundada de combate ao narcotráfico, reativa o ataque à soberania conjunta do subcontinente (América do Sul e Caribe).

Por equivalência, no processo opressor, há o bloqueio ou a tentativa armada de consegui-lo no que se refere ao triângulo Rússia, China e Índia e, de modo inseparável, o ataque ao Irã, com um projeto em curso de desestabilização interna via células pró-privilégios geopolíticos atlanticistas. Impedir as relações comerciais, com o acicate da força militar direta, tem como alvo minar as veias de interlocução e de relação comercial na contraposição ao dólar e à força do pensamento único, que é o corolário dos sistemas de comunicação do Ocidente Imperialista.

O triângulo Rússia, China e Índia, preconizado por analistas na década de 1990, deriva hoje, em 2026, para um quarteto com a firme e articulada atuação política e estratégica do Irã. Há ainda, para se contrapor à hegemonia estadunidense, países satélites ao trio original que se opõem ao imperialismo. Alguns se posicionam a partir da soberania nacional na oposição ideológica; outros, na oposição ideológica e militar. As forças que respondem aos ataques militares da OTAN crescem: Coreia Popular, Iêmen e Palestina sintetizam excelentemente bem os países que não se dobram às pressões e  violências  imperiais.

No ataque criminoso à soberania venezuelana, há o anúncio de controle total via força militar e outras armas que constituem o complexo militar-industrial e midiático dos EUA/OTAN. Sendo assim, no contexto global da política frontal dos EUA, busca-se impedir o bloco sistematizador de políticas econômicas e comerciais sintetizado pelos BRICS. Longe de desistir do controle mundial, os EUA investem, no momento, em pontos nucleares para fazer valer a moeda despótica, o dólar, almejando o controle dos territórios marítimos sul-americanos e caribenhos. O propalado combate ao tráfico de drogas é apenas fumaça; o objetivo é implodir as soberanias nacionais, paralisar os BRICS e as Novas Rotas da Seda. A intervenção visa ao impedimento do trânsito de interesses do bloco fora do circuito do dólar.

Do ponto de vista estratégico para a soberania dos países da América do Sul, é fundamental a sustentação da Venezuela, que é geopoliticamente inseparável das soberanias brasileira e colombiana. Não há dúvidas: os ataques à Venezuela com o objetivo de mudança de regime devem ser contidos, pois seriam ampliados para todo o contexto amazônico, o que exigiria necessariamente a mudança dos regimes atuais do Brasil e da Colômbia. O risco à soberania nacional é, de modo visceral, o perigo de o território usado por venezuelanos, brasileiros e colombianos ficar sob o poder e à disposição do saque estadunidense de recursos petrolíferos, hídricos, florestais e de minerais raros.

Um fato extremamente importante, que compromete o histórico dos governos Lula, refere-se à atitude injustificável — considerando a trajetória e os princípios do PT e do próprio presidente — de o governo ter impedido, mediante veto declarado e decisivo, o ingresso da Venezuela nos BRICS.

Com a confirmação do sequestro  do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos EUA, os próximos alvos, após a destruição da soberania venezuelana, serão certamente o Brasil e a Colômbia. Estes terão, inicialmente, seus regimes questionados e, posteriormente, destituídos via processos eleitorais controlados pelo poder financeiro, jurídico e midiático pró-imperialista. Na impossibilidade de derrotar os atuais governos do Brasil e da Colômbia nas urnas, seguirão as ações intervencionistas golpistas, seja por intervenção militar direta, seja articulada com as burguesias nacionais e forças militares controladas pelos EUA

(*) Fausto Antonio é escritor, poeta, dramaturgo e professor  Associado da Unilab, Bahia

Uma resposta

  1. Na verdade, os Estados Unidos não querem combater a ditadura na Venezuela, mas sim apropriar-se dos seus recursos naturais e transformá-los em propriedade privada. Isso fica evidente, pois o pronunciamento de Trump foi claro e objetivo ao afirmar o interesse em controlar o petróleo venezuelano.
    Lamentavelmente, há cidadãos venezuelanos que celebram a possível captura de Maduro. Por outro lado, existe também uma parcela da oligarquia brasileira que apoia essa intervenção e que deseja que algo semelhante aconteça com o atual governo do Brasil, liderado pelo presidente Lula.

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