Jornal Página 13 especial volta às aulas 2021

Jornal Página 13 especial volta às aulas 2021

Jornal Página 13 especial volta às aulas 2021

Jornal Página 13 especial volta às aulas 2021

Saiu a edição especial do Jornal Pagina 13, de número 222, dedicado aos temas estudantis e a volta às aulas em 2021. Para baixa e ler o jornal na íntegra, clique aqui. Abaixo, segue o editorial deste número! Boa leitura! 

Editorial – P13 especial volta às aulas 2021

O Brasil possui cerca de 40 milhões de estudantes secundaristas (cursando o ensino fundamental, médio, profissionalizante e pré-vestibular), além de mais de 9 milhões de universitários, entre instituições públicas e privadas. Ou seja, quase 50 milhões de brasileiros e brasileiras estão vinculadas a alguma instituição de educação, seja uma escola, um cursinho, uma faculdade ou uma universidade.

Com a pandemia do novo coronavírus e as necessárias medidas de distanciamento e isolamento social, todo esse contingente foi deslocado das salas de aula para as suas casas. Uma parte destes estudantes, principalmente aqueles de cursos técnicos e de educação superior, já utilizavam as plataformas de educação a distância desde antes da pandemia, mas nada comparado ao novo cenário estabelecido.

Segundo o Censo da Educação Superior de 2018, pela primeira vez na história, o Brasil passou a ter mais vagas ofertadas na educação a distância em instituições de educação superior do que em cursos presenciais. Este número veio sendo puxado pelas instituições privadas, uma vez que na rede pública (federal e estadual) o percentual das vagas na modalidade a distância se manteve muito inferior às vagas para cursos presenciais.

No que diz respeito a educação básica, tanto pública quanto privada, também segue prevalecendo no Brasil uma maioria de vagas na modalidade presencial, apesar de uma brutal ofensiva do setor privado para impor o mesmo movimento realizado na educação superior, de transferência no ambiente físico cada vez mais para o virtual.

Acontece que a pandemia do novo coronavírus forçou uma antecipação dessa transferência, de forma abrupta, desorganizada e excludente, em todas as redes de educação do país. Em menos de dois meses, com a constatação de que a pandemia não duraria pouco tempo, escolas e universidades, estudantes e professores, secretarias municipais e estaduais de educação de todo o país se viram diante do debate sobre como retomar as aulas de forma não presencial.

Esta edição especial de Página 13 buscou abordar, neste janeiro de 2021, os diversos aspectos e as lutas travadas por estudantes e profissionais de educação em 2020 e os desafios que estão colocados para 2021, quando o país vive uma segunda onda de contaminação e em que as discussões sobre a volta às aulas presenciais e a realização do Enem ocupam os principais pontos do debate sobre os rumos da educação no país.

Afinal de contas, a política ultraliberal do governo Bolsonaro aproveitou e continua aproveitando a pandemia e a consequente diminuição da capacidade de resistência dos estudantes e profissionais de educação para avançar com seus ataques à educação pública do país.

A política de cortes orçamentários foi aprofundada e potencializada com a nomeação de interventores em Universidades e Institutos Federais, que cumprem o papel de sufocar ainda mais as já fragilizadas políticas de assistência e permanência e estudantil e referendar a reforma empresarial da educação.

Ao mesmo tempo, o governo boicotou ao máximo a votação do FUNDEB, que corria o risco de não ser renovado. Com o apoio da direita liderada por Rodrigo Maia na Câmara, os deputados chegaram a aprovar a destinação de parte dos recursos do FUNDEB para as instituições privadas de educação. Não fosse a mobilização de estudantes e profissionais da educação sobre o Senado, que reverteu e medida, a educação pública básica brasileira teria sido completamente desmontada.

Algo semelhante ocorreu no processo de luta pelo adiamento do Enem. Se dependesse do MEC, a prova teria sido realizada num dos piores momentos da pandemia e sem nenhuma medida de segurança. Foi a luta e a pressão dos estudantes que impôs uma derrota ao governo, que se viu ameaçado de ter um projeto aprovado pelo Congresso impondo o adiamento.

Ainda assim, a luta pelo adiamento do Enem não foi inteiramente vitoriosa, uma vez que este jornal está sendo publicado poucos dias após a realização do primeiro dia de prova e no momento em que o país atravessa a segunda onda de contaminação. Apesar desse contexto, o governo federal não garantiu nenhuma condição de segurança para que os estudantes pudessem realizar as provas que tiveram mais de 50% de ausências.

Considerando este cenário, a publicação desta edição especial do Jornal Página 13, busca dar conta desses e de outros assuntos relativos à luta dos estudantes brasileiros nesse começo de 2021. Esperamos que as reflexões iniciais apresentadas aqui contribuam para que todas e todos que estão, neste momento, indignados com a política genocida de Bolsonaro, e que querem entrar na universidade ou conseguir se formar, percebam que toda a luta está conectada e que devemos nos organizar para o mais rapidamente possível acabarmos com este governo e com suas políticas.

É importante que os estudantes tenham, neste momento, muita compreensão do seu papel como sujeitos políticos – pelo direito de permanecer e se formar, mas também de transformar a universidade e a sociedade. À luta, pois o futuro nos pertence!

 

 

 

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