Por Valter Pomar (*)

O mais espantoso na votação do Senado não é a derrota em si.
O espantoso é a quantidade de gente bem-informada que estava 100% segura da vitória.
Parecido com isso, só a grande ilusão que precedeu a derrota ocorrida em 17 de abril de 2016: até pouco antes de começar a votação na Câmara dos Deputados, a esmagadora maioria dos dirigentes do nosso Partido acreditava que a base do governo, vitaminada pelo poder de convencimento de Lula, impediria o impeachment.
A derrota na votação do Senado ocorrida ontem, 29 de abril, foi ainda maior porque o candidato Messias demonstrou ser ideologicamente comprometido com muitos dos valores conservadores defendidos pela maioria do Senado.
Ou seja: mesmo sabendo que poderiam eleger para o Supremo mais um “terrivelmente evangélico”, a turma do lado de lá não vacilou; colocou a política no posto de comando e impôs uma derrota ao governo.
A esse respeito, o presidente nacional do PT, companheiro Edinho, publicou um post na sua conta pessoal dizendo o seguinte: O Senado Federal, ao rejeitar a indicação de Jorge Messias, comete um grave erro, politizar uma indicação para um cargo onde a formação técnica é o mais relevante. Essa postura do Senado Federal também gera uma importante instabilidade institucional. Há 130 anos que uma indicação para a Suprema Corte não é recusada. Mais uma atribuição do Poder Executivo “é esvaziada pelo Legislativo”.
Erro comete Edinho, quando acha que o mais “relevante” para compor o STF é “a formação técnica”.
Nem Messias acredita nisso, como ficou claro quando – ao falar do aborto – ele destacou suas crenças religiosas e deixou de lado o que a legislação brasileira diz a respeito.
Sendo assim, melhor corrigir a frase de Edinho e deixar da seguinte forma: o objetivo da maioria do Senado não foi “também”, foi principalmente criar uma “instabilidade institucional”, termo elegante que deve assim ser traduzido: derrotar o governo.
A pergunta que não quer calar é: vai parar por aí? Se a resposta a essa pergunta for “não, vai é piorar”, cabe também perguntar: Pacheco, candidato que o PT de Minas Gerais está apoiando para governador, é confiável como aliado?
Ou vamos deixar para descobrir, no meio da campanha eleitoral, que nos iludimos com Pacheco, com Paes, com outros e com tudo, tanto quanto nos iludimos agora acerca de qual seria o resultado de Messias?
Não fosse tão trágica a situação, valeria um comentário sobre o quanto se iludem aqueles que gostam de alardear seu pragmatismo.
Mas dada a situação, nos limitemos ao indispensável: a maioria do Congresso é inimiga do povo. Cabe dizer isso ao povo, com todas as letras. E tratar os inimigos do povo como eles merecem. A começar pelos cargos controlados por Davi Alcolumbre, Arthur Lira et caterva.
(*) Valter Pomar é professor e diretor da FPA
