Resolução política da direção nacional da AE | 22 de fevereiro de 2026

A direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda, reunida no dia 22 de fevereiro de 2026, aprovou a seguinte resolução sobre a situação política e nossas tarefas.

1.Terminado o Carnaval, a disputa política se aprofunda e se acelera. Salvo algum fato extraordinário, a disputa presidencial será entre Lula e um Cavernícola filho. As pesquisas seguem indicando a vitória de Lula, no segundo turno, por pequena diferença e apoiado pela mesma base social de 2022: trabalhadores pobres, negras e negros, mulheres. Na maioria dos estados, candidaturas que vão da direita à extrema-direita lideram a disputa para os governos, Senado, Câmara e assembleias legislativas. Em estados eleitoralmente decisivos como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro há imensos problemas. Em Minas Gerais ainda não temos candidatura a governador. Em São Paulo temos nomes, mas estes até agora se recusam a assumir a tarefa. No Rio de Janeiro, a tática atual imposta pela maioria do Partido prevê apoiar um candidato a governador que acaba de escolher uma bolsonarista para vice. Em inúmeros outros estados há problemas diversos e igualmente graves na montagem das chapas. A direção nacional do Partido está chamada a dar um imediato “freio de arrumação” no conjunto da obra.

2.Como vem acontecendo desde 2015, há duas táticas no Partido acerca de como enfrentar a extrema direita golpista. De um lado, os que defender rebaixar o programa e ampliar as alianças, levando o PT a apoiar candidaturas de direita que nos prejudicam eleitoral e politicamente. De outros aqueles que, como nós, defendemos que a saída é pela esquerda, o que incluí apresentar ao povo um programa de transformações que empolgue o conjunto da classe trabalhadora e leve as maiorias sociais a tomar partido. Isso inclui tomar uma atitude firme frente a situações como a do escândalo do Banco Master, no qual fica mais uma vez evidente a promiscuidade entre governantes, ministros do Supremo Tribunal Federal e magnatas que ganham dinheiro fraudando a lei. Ao nosso Partido não basta se dizer “antissistema”, é preciso se comportar como tal.

3.Nesse mesmo espírito, reiteramos a necessidade de submeter à comissão de ética e punir – em nossa opinião, com expulsão do Partido – do senhor Washington Quaquá, que na véspera e durante o Carnaval deu novas demonstrações de riqueza, prepotência e conservadorismo incompatíveis com a condição de petista. A comissão especial criada para analisar os pedidos de ética contra o indigitado até agora não se manifestou a respeito. O silêncio e a demora em julgar e punir o senhor Quaquá tem como resultado prático uma escalada de agressões que causam imenso prejuízo do Partido, inclusive eleitoral.

4.Uma saída pela esquerda, capaz de empolgar a maioria do eleitorado, inclui uma firme defesa da soberania nacional, da integração regional e da paz mundial contra o imperialismo estadunidense. Palestina, Venezuela, Cuba e Irã devem receber solidariedade não apenas do nosso Partido, mas também do governo e do Estado brasileiro. A defesa da soberania e dos direitos, combinada com o enfrentamento do imperialismo e a defesa de uma ordem socialista alternativa ao capitalismo devem estar presentes no Oitavo Congresso do Partido e, também, na campanha eleitoral de 2026.

5.Entre os direitos a serem defendidos, citamos a luta dos indígenas – inclusive a justa mobilização em defesa do Tapajós – e destacamos a luta pela vida das mulheres. Combater o feminicídio, implantar a política de cuidados e garantir salário igual para trabalho igual é uma pequena parte das tarefas necessárias para garantir o fim da exploração e opressão que se abate sobre metade da humanidade. Viva o 8 de março!

6.Destacamos, também, a defesa do fim da escala 6×1. O caminho para que esta pauta prevaleça – derrotando a oposição do empresariado, as manobras da direita congressual e as concessões aventadas inclusive por gente de esquerda – é a mobilização social. O PT deve trabalhar para organizar uma gigantesca mobilização em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada de trabalho e da tributação dos ricos.

7.Concluimos reverenciando a beleza e a coragem da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que neste Carnaval de 2026 decidiu homenagear Lula. Na vida, há os que se medem por ganhar e perder pontos; e há os que entram para história. Viva a Acadêmicos de Niterói! Viva Lula!

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