A hora é de organizar a classe e botar o bloco nas ruas! Balanço do 13º Concut

Por Jandyra Uehara Alves (*)

A derrota do golpismo depende da luta do povo brasileiro. O tempo que vai durar a ofensiva conservadora e o desenlace desta luta em favor da classe trabalhadora depende em grande medida da linha política e da ação prática das organizações da classe, a começar pelo PT e pela CUT. Foi com esta perspectiva que participamos do  13º Concut – Congresso LULA LIVRE e é a partir deste ponto de vista que realizamos um balanço preliminar dos seus resultados.

O  13º Concut – Congresso LULA LIVRE realizado de 7 a 10 de outubro na Praia Grande, São Paulo refletiu os impactos no movimento sindical dos retrocessos políticos, econômicos e sociais da conjuntura pós golpe no movimento sindical: o refluxo das lutas sindicais e sociais, os impactos da Reforma Trabalhista e do fim do imposto sindical e a deficiência de direção política que marcou a CUT, especialmente depois do primeiro semestre de 2017 após a exitosa greve geral de abril de 2017.

Evidentemente, tanto em 2018 como em 2019 houve momentos importantes de mobilizações a exemplo do levante da educação em maio e a greve geral de junho, que contribuíram para o processo de acúmulo de forças, mas que não configuram de conjunto um processo crescente e consistente de ascenso das lutas sociais e sindicais. Tanto é que a antirreforma da previdência foi aprovada com baixa capacidade de resistência e mobilização das categorias organizadas.

A aprovação da Reforma Trabalhista e o fim do imposto sindical e os seus impactos na CUT e nos sindicatos; a derrota antecipada na reforma da previdência; os reflexos dos ataques do governo Bolsonaro em todas os setores organizados, num contexto de baixa mobilização e luta social,  bem como, a permanência no núcleo central da corrente majoritária que dirige a CUT de uma estratégia baseada na conciliação de classes são ao nosso ver os principais fatores das debilidades políticas e organizativas verificadas no 13º Concut.

O processo de construção do 13º CONCUT teve início após a decisão da direção nacional da CUT sobre a realização dos congressos estaduais (CECUTs) depois do Congresso Nacional. Esta decisão se baseava em dois argumentos centrais: 1)a conjuntura do primeiro semestre de 2019, com a pauta da reforma da previdência, perspectiva de greve geral e a necessidade dos sindicatos, Cuts estaduais e ramos estarem totalmente dedicados às tarefas de mobilização; 2) a necessidade de aprovação de mudanças na estrutura organizativa e no próprio estatuto que conferissem maior autonomia às CUTs estaduais e possibilidades de reestruturação e reorganização na conjuntura de ataques à organização sindical.

A decisão de inverter a ordem dos congressos foi um fator determinante para que na prática os temas do Congresso não fossem debatidos o mais amplamente possível pelo conjunto do movimento sindical cutista de modo que as diferentes posições pudessem se apresentar – processo fundamental para a produção de sínteses coletivas que representem o debate realizado nas bases, não apenas nas direções da CUT.

Os três eixos que organizaram os debates do Congresso foram: 1) Derrotar a coalização de forças golpistas, defender os direitos, a democracia e a soberania nacional 2) Intensificar a luta pelo desenvolvimento sustentável com soberania popular, igualdade e valorização do trabalho 3) Ampliar a representação e fortalecer a organização, com a atualização do projeto organizativo da CUT.

No entanto nenhum destes eixos foi debatido com a profundidade que a situação política do país requer e tão pouco foram aprovadas resoluções à altura dos desafios, o Congresso não foi muito além do diagnóstico da situação e de um inventário das lutas gerais e setoriais que a CUT deve organizar.

Há no interior da CUT posições divergentes sobre o balanço do movimento sindical nos governos Lula e Dilma, na caracterização do governo Bolsonaro e principalmente sobre qual estratégia deve ser adotada contra a coalizão golpista. Some-se a isto o crescimento e o fortalecimento do corporativismo e da burocratização no interior da central, com o hegemonismo acachapante do condomínio de interesses de setores, grupos, corporações que organizam a Articulação Sindical, tendência que controla cerca de 75% dos sindicatos cutistas e cujas disputas internas desestabilizaram o Congresso, uma vez que prevaleceram as disputas corporativas e de espaço nas estruturas em detrimento da composição de uma direção política capaz de dirigir a classe trabalhadora.

Prevalece ainda, em setores da corrente majoritária, uma visão da Central como protagonista nos processos de concertação política com setores e frações da burguesia, sem levar em conta que a unidade do lado de lá está justamente no programa de ajuste ultraneoliberal e que só conseguiremos derrotar a política econômica a partir da correlação de forças construída com as classes trabalhadoras em luta, organizadas e mobilizadas e que isto depende em grande medida da ação da CUT.

Portanto, torna-se indispensável superar a influência e os reflexos no movimento sindical cutista de uma estratégia partidária centrada em disputas eleitorais e limitada pelo objetivo de ser governo e não de conquistar o poder, onde a ação institucional e a atuação nas esferas de concertação política prevalecem sobre a organização, a luta social e a luta de classes.

Para que que a CUT tenha uma política sindical à altura da conjuntura é fundamental aprofundar o debate político, discutir as táticas de enfrentamento e as formas de luta para derrotar o governo de extrema direita e construir uma sólida unidade em torno de uma política de enfrentamento à coalização golpista. Avançar na defesa das nossas organizações contra a criminalização da ação política e o enfraquecimento do movimento sindical, na luta pela democracia associada à luta pelos direitos econômicos e sociais e à soberania nacional.

Isto exige da direção da CUT um nível de revolução política e organizativa que passaram distante do 13º Congresso: mudar a sua organização, funcionamento, métodos de trabalho e de direção; organização na base, relação com as classes trabalhadoras, mobilização e luta sindical; conteúdos e práticas de comunicação e formação política de base e de dirigentes; organização nos locais de trabalho ampliados e adaptados à nova realidade; política de organização junto a quem foi empurrado para o desemprego e a miséria.

O cenário na América Latina é de lutas e resistência das classes trabalhadoras, ao mesmo tempo em que ofensiva conservadora e imperialista dá sinais de recrudescimento e as perspectivas são de continuidade da crise econômica. Os sucessivos e cada vez mais violentos ataques de Bolsonaro aos direitos com reforma trabalhista embutida na MP 905, os ataques aos trabalhadores do setor público e às políticas sociais nas PECs do ajuste fiscal de Guedes e a anunciada reforma sindical precisam ser combatidas a partir da organização e da luta classe trabalhadora, com mobilização social.

Lula saiu da prisão, o que é uma vitória que anima as nossas fileiras, mas segue a luta por Lula definitivamente Livre, com os processos anulados e plenos direitos politicos, o que permanece central na luta pela democracia e  indissociável das lutas por direitos e pela soberania nacional.

Caberá a uma direção eleita num Congresso que pouco avançou nas suas formulações, construir a unidade necessária na direção e nos sindicatos para priorizar, organizar e impulsionar as mobilizações e as lutas da classe trabalhadora, colocar os sindicatos em ação e as bases organizadas nas ruas, o que é fundamental para a mudança na correlação de forças que assegure derrotar o governo fascista de Bolsonaro e o programa antidemocrático, entreguista e ultraneoliberal da coalização golpista e viabilizar uma saída política para construir um Brasil democrático, popular e socialista.

(*) Jandyra Uehara Alves é integrante da Executiva Nacional da CUT

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

justin tvmarsbahisjojobetjojobet girişbahis forumdeneme bonusu veren sitelerbursa escortbursa escortgrandpashabetCratosroyalbetmarsbahisdeneme bonusu veren sitelerJojobetBetciogalabet girişeskort marmarisbetistextrabetcasibomdeneme bonusuRomabetbetasusgrandpashabetbetofficemeritkingbetebetcratosroyalbetdeneme bonusuCratosroyalbetcasibomteosbetbahiscasinocasinoroyalbahiscasinobahiscasinobahiscasinoteosbetdoedadizipalgrandpashabetmarsbahisjojobet girişjojobetmatbetpusulabetvdcasinograndpashabetpusulabetpusulabetvdcasinobetixiristanbulbahissekabetmatbetimajbetvevobahispusulabetganobetcasibom güncel girişligobetjojobetjojobetmadridbetslotbaronwinLunabetBetorderroyalbetdarkbetpusulabetjojobetjojobet girişCasibomroyalbeteros mac tvsahabetgates of olympusgüvenilir slot sitelerigates of olympuscasibom güncel girişultrabetsweet bonanzasweet bonanzastresserfree stressergrandpashabet girişkralbetPusulabetpusulabetDeneme bonusu veren siteler 2026Deneme bonusu veren siteler 2026Grandpashabet güncel adres 2026Grandpashabet güncel adres 2026Deneme bonusuDeneme bonusugrandpashabetdeneme bonusungsbahisdeneme bonusujestbahisdeneme bonusudeneme bonusudeneme bonusunesinecasino giriştaraftarium24justin tvbetpaributaraftarium24justin tvtaraftarium24slot siteleriJojobettaraftarium24taraftarium24betparkbettiltcasibommatadorbetMarsbahisCasibomcasibom girişCasibomcaddebetCasibomganobetCasibomjojobetJojobet Girişbetplaybetplay girişbetbeybetbey girişmercurecasinomercurecasino girişesbetesbet girişcashwincashwin girişbetpuanbetpuan girişsonbahissonbahis girişgrandpashabetholiganbet girişholiganbetCasibom GirişcasifixCasibommarsbahis girişjojobet girişmatbet güncel girişpusulabet girişcratosroyalbetradissonbetgameofbetromabetbetgitjojobetholiganbetpalacebet1winbahiscasinoholiganbetmarsbahis