Carta ao Setorial Nacional de Saúde do PT aponta preocupações sobre aplicação do piso constitucional

Página 13 divulga carta enviada ao Setorial Nacional de Saúde do PT, por alguns de seus integrantes, apontando preocupações e fazendo sugestões de encaminhamentos a respeito da aplicação do piso constitucional da Saúde. Recomendamos fortemente a leitura do documento.

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Nós abaixo assinados, integrantes do Setorial Nacional de Saúde do PT, consideramos necessário nos dirigir a esta instância partidária para apresentar nossas preocupações e sugerir encaminhamentos em relação ao tema da aplicação do piso constitucional da Saúde.

Como é de conhecimento, o Senado Federal aprovou, no dia 04 de outubro, o projeto de lei que permite que o governo Lula não cumpra a exigência de pagar o piso da saúde para 2023. Com a possibilidade de não se cumprir o piso da saúde, o texto aprovado retirou a obrigatoriedade de destinar 15% da receita corrente líquida (RCL) para a saúde. Foram 63 votos a favor e apenas dois contrários. A proposta seguiu para sanção do presidente. Todos os senadores do PT votaram para aprová-la.

Como também é sabido, a carta que este Setorial encaminhou ao Diretório Nacional do Partido que colocava nossos posicionamentos de que fosse cumprido o piso constitucional desde já, foi disponibilizada aos membros do DN-PT no mesmo dia da votação, não tendo havido o debate solicitado com a bancada, portanto.

No dia anterior, a ministra da saúde, Nísia Trindade, informou pela imprensa que a pasta não pleiteava este ano o aporte de recursos de R$ 18 bilhões – quantia que teria de ser acrescida ao orçamento caso houvesse o entendimento de aplicação imediata que vincula o piso de saúde a 15% da Receita Corrente Líquida (RCL), argumentando que graças à PEC da Transição, a Saúde teria recebido um aporte significativo de recursos já em 2023, uma quantia que para ela seria adequada.

Que o piso constitucional voltou a valer, é um fato que ninguém nega. E que houve recomposição de recursos, em relação ao desastre anterior, também. Mas também é um fato que existe um movimento no sentido de “flexibilizar” o cumprimento do piso constitucional da saúde. Movimento que tem apoiadores no Ministério da Fazenda, fato demonstrado por documentos do próprio ministério, como detalhamos em nossa carta ao DN. E agora também aprovado pelas bancadas petistas na Câmara e Senado Federal.

Assim, a advertência colocada pela Ministra, na mesma entrevista, de que a partir do próximo ano, a regra deverá ser retomada, assinalando da mesma forma a necessidade de que gradativamente o orçamento da Saúde seja ampliado para chegar a 6% do PIB, soa incoerente com a aceitação de que mais 18 bi não seriam necessários e minimiza o movimento que visa flexibilizar o piso, abrindo gravíssimo precedente que antecipa uma tendência posterior, tese que não poderia ter sido aceita pela mais importante representante e defensora do SUS no governo encabeçado por Lula.

De nossa parte, uma instância partidária que vem fazendo intransigente defesa de mais recursos para a Saúde em todos nossos documentos e ações, que tem o endosso da Resolução do Diretório Nacional do PT, de 29/08/2023, que indica que “os recursos para saúde e educação são fundamentais, sendo muito importante a recuperação e manutenção dos pisos constitucionais para essas duas áreas asseguradas pelo governo do presidente Lula”, cuja atuação conjunta com inúmeras entidades, conselhos e movimentos sociais na Saúde, só reforçam que não podemos perder de vista que o investimento no SUS efetivado pelo governo Lula deve ser garantido em bases constitucionais, ou seja, comprometendo-se com os aumentos constitucionalmente devidos das despesas com serviços e ações de saúde no orçamento público brasileiro.

Dessa forma, seguindo a máxima sempre defendida pelo presidente Lula de que “Saúde não é gasto, mas investimento”, avaliamos que este Setorial deverá solicitar novo debate com o DN-PT e bancada petista no Congresso Nacional sobre a necessária aplicação do piso constitucional da Saúde no governo Lula, com a manutenção sem subterfúgios dos 15% da receita corrente líquida da União a cada ano, reafirmando a necessidade de ampliar os recursos a partir de 2024 – conforme foi decidido na 17ª Conferência Nacional de Saúde, para que se efetive um gradativo aumento do orçamento do SUS mediante a soma dos investimentos de União, Estados e Municípios para totalizar o equivalente à 6% do Produto Interno Bruto (PIB), cuja participação da União neste gasto público, pautada na reorganização do pacto federativo, corresponda no mínimo a 60% do gasto total em Saúde, de modo a garantir recursos necessários para a efetivação de um SUS forte e uma Saúde universal, pública, equânime, integral e de qualidade para a população brasileira.

Saudações Petistas

Francisco Junior, Nayara Oliveira, Olga Estefânia, Sebastião Matias

Integrantes do Setorial Nacional de Saúde do PT

25.10.23

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