Sobre a desfiliação do deputado Waldeck

Sobre a desfiliação do deputado Waldeck

Sobre a desfiliação do deputado Waldeck

Sobre a desfiliação do deputado Waldeck

Por  Olavo Brandão Carneiro (*)

Deputados estadual pelo RJ Waldeck Carneiro

Ontem, 16/03/22, o deputado estadual Waldeck anunciou a sua saída do PT.

Tive o prazer de conviver com ele na disputa interna do PT em 2019. Quando enfrentamos o autoritarismo, o fisiologismo e as posições direitistas do Quaquá, apoiando a candidatura de Wadih Damous a presidente.

Tive a honra de trabalhar em seu gabinete em 2020. Na sua trajetória no parlamento sempre foi firme, combativo e preparado nas defesas de posições de esquerda. Esteve sozinho na bancada do PT na defesa contra a privatização da Cedae na última legislatura; na reprovação das contas do Pezão e do Witzel, que não obedeceram os mínimos constitucionais e nem os fundos estaduais de combate à pobreza e ambiental; na oposição às escolas cívico-militar; nos pacotes de Pezão contra os servidores públicos.

Eu vi a maioria da direção do PT-RJ chamar suplente da Alerj para estar em palco com Fernando Haddad e ele ser ignorado. Waldeck também foi uma figura pública muito atuante e presente nas instâncias partidárias e nas cidades.

Waldeck se posicionou contra a aliança do PT com os bolsonaristas Delaroli(Itaboraí), Waguinho(Belford Roxo) e Washington Reis (Duque de Caxias). Nesta última cidade foi e é contra o PT participar do governo de Washington Reis, um dos coordenadores das campanhas Bolsonaro/Castro.

Então, quando Waldeck diz em sua carta que se viu em tomadas de posições e votações distintas da maioria da bancada e da direção, ele está falando absolutamente a verdade.

No entanto, a sua saída para o PSB possui grandes contradições e equívocos.

Separar um partido entre a sua atuação nacional e estadual é perder a dimensão estratégica que justifica integrar e construir um Partido. Se é verdade que há sérios problemas no PT-RJ, o que dizer do PSB em Brasília, onde a maioria da bancada aprovou as medidas neoliberais de Temer e Bolsonaro. Ou do governador do Espírito Santo que flerta com Sérgio Moro e o PSB do Rio Grande do Sul que integra o governo neoliberal de Eduardo Leite. Não há divergências de natureza doutrinária, ideológica, tática e estratégia com o PSB nacional?

Reconhecendo a centralidade da liderança de Lula para derrotarmos o bolsonarismo e o ultraneoliberalismo e listando vários pontos programáticos em sua carta que a bancada do PSB votou contra, porque não continuar na trincheira do PT e contribuir para a disputa de seus rumos no RJ e no Brasil. Aliás, vale lembrar que parlamentares do PSB na Alerj votaram a favor de medalha Tiradentes à Sérgio Moro não faz muito tempo. Por que não ajudar na disputa do PT-RJ a aprovar o apoio a Marcelo Freixo e constituir uma frente de esquerda para derrotar Cláudio Castro e a sua agenda bolsonarista e neoliberal?

Lamento muito a saída do Waldeck, a quem possuo profunda admiração e respeito. Enfraquece as posições militantes, ideológicas e socialistas no PT-RJ. Estes, para se fortalecer internamente, terão algumas alternativas petistas nas eleições de outubro.

(*) Olavo Brandão Carneiro é secretário de Formação Política do PT-RJ

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