Aventuras do PT na China

Valter Pomar, em 12 de abril de 2024 (*)

Texto integrante da publicação: Livreto sobre organização partidária

Parte 4

É comum encontrarmos, em textos acadêmicos ou jornalísticos, a referência a um misterioso deep state (“Estado profundo”) que, suposta ou efetivamente, determinaria os rumos da grande política dos Estados Unidos.

Mas não há dúvida alguma sobre quem é o núcleo do poder na China: o Partido Comunista, fundado em 1921 e no poder desde 1949.

Formalmente, a China é parlamentarista. O povo elege parlamentares, que se reúnem numa Assembleia do Povo, que escolhe as principais autoridades do País: a cúpula do Judiciário, do Legislativo, do Executivo e, também, quem dirige as Forças Armadas.

Acontece que os parlamentares são eleitos com base em listas propostas pelo Partido. E as autoridades eleitas são indicadas com base em nominatas aprovadas, previamente, pelo Partido. A quem cabe, também, debater previamente as grandes diretrizes políticas e supervisionar sua implementação.

Para os padrões vigentes nos Estados Unidos, trata-se de uma ditadura partidária.

Para os padrões adotados pelos comunistas chineses, trata-se de um tipo de democracia diferente e superior à vigente, por exemplo, nos Estados Unidos.

Segundo Xie Chuntao, pró-reitor da Escola Central do Partido, nos Estados Unidos, prevalece quem tem dinheiro: “Nosso sistema é mais democrático que Trump”.

Na institucionalidade política chinesa, o centro do poder é o Partido, o centro do Partido é o Comitê Central, o centro do Comitê Central é o Birô Político, o centro do Birô Político é uma Comissão Permanente integrada, hoje, por sete pessoas. E, no centro dessa Comissão Permanente, está o secretário-geral, função exercida desde 2012 por Xi Jinping.

Outro dos sete integrantes da comissão permanente é Li Xi. O senhor Li (na China, o primeiro nome é o da família, o segundo nome é o da pessoa) esteve no Brasil em 2023, tendo visitado a sede nacional do PT em Brasília. E foi o mesmo senhor Li que recebeu, numa reunião realizada no Grande Salão do Povo, a delegação do Partido dos Trabalhadores, encabeçada pela presidenta Gleisi Hoffmann.

Li Xi é “secretário da comissão de inspeção disciplinar do Comitê Central do PCCh”. É ele quem encabeça, portanto, a luta contra a corrupção. Para os comunistas chineses, não se trata de um detalhe. Para um partido cujo lema é “servir ao povo”, não basta parecer honesto, é preciso ser honesto.

Por este motivo, é comum que altos dirigentes do Partido sejam investigados, condenados e presos por conta de diversos delitos, com destaque para a corrupção. Tarefa que cabe ao sistema legal do Estado chinês, mas que, no caso dos integrantes do Partido, é supervisionado e implementando pela “inspeção disciplinar”.

Ou seja: mesmo num Estado dirigido pelo Partido, o Partido faz questão de exercer diretamente esse trabalho. Um dos motivos disto é impedir que os “donos do poder” usem-no para burlar as leis e escapar das investigações. Outro motivo é dar o exemplo político de que são capazes de permanente autocrítica e capacidade de renovação, algo que o senhor Li Xi chegou a chamar de “auto-revolução”. Li enfatizou, ainda, que cabe ao povo fazer a “inspeção do governo”.

Como sabemos, seja pela nossa própria experiência no Brasil, seja pelo estudo de outras experiências históricas, há sempre uma distância entre a teoria e a prática. Assim, como disse o próprio Mao Zedong, é preciso investigar criteriosamente a realidade, estudar, pesquisar.

Mas uma coisa pode ser dita: os comunistas chineses estão muito seguros de que, sem esta democracia-com-características-chinesas, a República Popular da China não teria derrotado o feudalismo, o colonialismo e o imperialismo, nem teria melhorado a vida do povo chinês, tampouco teria conseguido um desenvolvimento tão intenso e veloz.

E, no centro da democracia-com-características-chinesas, está o Partido Comunista, cuja história centenária é contada em detalhes em um Museu inaugurado em 2021. A visita a este Museu será contada na próxima parte deste relato.

Parte 5

O Partido Comunista foi fundado em 1921.

Qual era o contexto?

Primeiro, uma nação com milhares de anos de história.

Segundo, um povo majoritariamente camponês, submetido à exploração por parte de uma classe de proprietários da terra.

Terceiro, um país que desde 1839 vinha sendo sistematicamente humilhado, atacado, roubado e explorado por potências europeias, pelos Estados Unidos e pelo Japão.

Quarto, uma economia onde as relações capitalistas de produção estavam assentado raízes, mas ainda muito atrasado em relação às principais economias capitalistas da época.

Quinto, uma cultura dividida entre as tradições e as novidades que vinham do Ocidente, entre as quais o impacto da Revolução Russa de 1917 e da Internacional Comunista.

Sexto, uma elite política que ficou chocada com as decisões que a Conferência de Versalhes de 1919 tomou a respeito da China.

Há outros aspectos, mas estes são fundamentais para compreender em que ambiente realizou-se o congresso de fundação do Partido Comunista da China, em 1921, com 13 delegados, representando cerca de 50 militantes espalhados por algumas cidades do país.

Apoiados pelos soviéticos, o Partido cresceu e firmou uma aliança com o Kuomitang, o Partido Nacionalista dirigido por Sun Yat Sen e, depois, por Chiang Kaichek.

A aliança entre comunistas e nacionalistas é rompida em 1927. Segue-se uma guerra civil entre as duas forças. Em 1937, por conta da invasão japonesa, se constitui uma frente única entre Kuomitang e PCCh. Essa frente acaba em 1945, quando os japoneses são derrotados. A nova guerra civil termina em 1949, com a vitória dos comunistas.

Nesses primeiros 28 anos de vida, o Partido Comunista se transforma profundamente. De partido fundamentalmente urbano, se converte em partido majoritariamente camponês. Cria o Exército Popular de Libertação. E adota a estratégia da Guerra Popular Prolongada, do cerco da cidade pelo campo, da Nova Democracia.

Entre 1949 e 1978, a República Popular da China sofre imensas transformações políticas, econômicas, sociais e culturais. E, dentro do Partido Comunista, ocorre uma intensa luta interna, acerca do caminho da construção do socialismo. A principal divergência se trava entre os que defendiam a estratégia da Nova Democracia, que pressupõe um longo processo de desenvolvimento econômico, em que se combinarão diferentes formas de propriedade pública e de propriedade privada; e os que defendiam ser possível e necessário acelerar o processo e pular etapas, seja através de medidas econômicas (como algumas do Grande Salto Adiante), seja através de medidas políticas (como algumas da Grande Revolução Cultural Proletária).

A disputa entre essas duas linhas se resolve em 1978, quando o Partido adota a política de reforma e abertura. Esta política segue vigente desde então e até hoje.

Mao Zedong foi o principal dirigente do Partido nas duas primeiras etapas (1921-1945 e 1945-1978). Deng Xiaoping é o principal dirigente da terceira etapa, iniciada em 1978 e continuada até hoje.

Vale esclarecer que Mao morre em 1976 e Deng, em 1997. Vale esclarecer, também, que Deng — apesar de toda sua importância, destacada pelos próprios chineses — nunca foi presidente nem secretário-geral do Partido Comunista Chinês.

A política de reforma e abertura contribuiu para que a China, hoje, disputa com os Estados Unidos em terrenos nos quais os EUA e os capitalistas se consideravam imbatíveis: a eficiência, a produtividade, a qualidade, a tecnologia, a intensidade do crescimento e desenvolvimento.

Desde 2008, ou seja, desde a grande crise, a China entrou em uma nova etapa de sua história, seja por conta de contradições internas, seja por conta de sua crescente influência internacional. É nesse contexto que Xi Jinping chega à Secretaria Geral do Partido Comunista da China. E é nesse contexto que o Partido inaugurou, em 2021, um Museu para contar sua história centenária.

Em seguida, falaremos com mais detalhes do Museu. Mas, antes, façamos um spoiler: quase na parte final da exposição, os visitantes são convidados a sentar num “carrinho de montanha russa”, onde passam por duas experiências: a de sobrevoar todo o território chinês e a de sobrevoar os avanços tecnológicos da China.

O passeio virtual termina em Marte, quando uma nave espacial chinesa pousa no “planeta vermelho”.

Termina? Ao que tudo indica, para usar uma expressão do Chávez, “por enquanto”, termina.

Vamos então ao Museu na próxima parte deste texto.

Parte 6

O Museu da História do Partido Comunista da China abriu suas portas em 1921, como parte das comemorações do centenário de fundação do PCCh.

Trata-se de um prédio imenso, com vários andares, três dos quais ocupados pela exposição museográfica propriamente dita.

No salão de entrada, aparece um imenso painel da Grande Muralha, que os comunistas chineses não cansam de lembrar que se trata de uma barreira defensiva.

No espaço a seguir, ao som da Internacional, um vídeo e vários letreiros resumem a exposição e os 100 anos. 

Nesses e noutros espaços, as cores dominantes são o vermelho e o dourado. A imensa maioria das legendas está escrita em caracteres chineses, havendo pouca coisa em inglês.

A exposição está dividida em 4 partes: os 100 anos de humilhação findos em 1949, o período 1949-1978, o período das reformas e o período atual.

A primeira parte começa falando da guerra do ópio, de todas as agressões imperialistas e dos tratados desiguais. Depois fala das lutas do povo chinês contra a opressão feudal e colonial, desembocando na revolução nacionalista e republicana de 1911. Há muitas fotos, algumas imensas, bem como esculturas, alto-relevo e outras invenções museográficas, por exemplo uma reprodução da fachada do Palácio de Verão, queimado e saqueado pelos imperialistas.

Em seguida, são apresentados os primeiros marxistas chineses, com destaques para o movimento de maio de 1919, para os estudantes e para a revista La Jeunesse

Aliás, para quem gosta de artes gráficas, tem de tudo, de impressoras até manuscritos de Marx, passando por edições de época (livros, jornais, revistas, panfletos, cartazes).

Nesse pedaço, há uma bela estátua de Marx e Engels, cujo estilo lembra aquela que a China doou para a cidade natal de Marx (Trier/Treveris). 

Há também uma reprodução da fachada da casa de Mao em Pequim, bem como três exemplares das primeiras obras marxistas que ele leu. Aparece uma tabela com as datas de fundação dos primeiros partidos comunistas mundo afora. E, numa sala específica, se reproduz os dois ambientes em que o PCCh foi fundado, em Shangai: uma casa e um barco.

Há fotos e outras informações sobre as células integradas por aqueles que fundaram o PCCh. E uma fotografia de cada um dos 15 participantes da reunião fundacional, sendo 13 chineses e dois enviados da Internacional Comunista. Mao é um dos 13; nessa época, ele tinha 28 anos, que era também a idade média da delegação presente ao congresso de fundação. 

Detalhe: dos 13, somente dois estariam presentes no ato de fundação da República Popular da China, em 1º de outubro de 1949.

A exposição falará, também, dos congressos partidários seguintes, bem como da fundação, em 1924, de uma academia militar dirigida por Chiang Kai-shek e por Chu Enlai. E trará uma tabela mostrando a progressão da militância partidária, entre 1921 e 1927. Os dados são impressionantes: 1921, 58; 1922, 195; 1923, 420; 1924, 994; 1925, 3 mil; 1926, 13.281; 1927, 57.967.

Nesse contexto, a exposição dá grande destaque para o patíbulo em que foi executado um dos fundadores do Partido. Igualmente recebe grande destaque o levante de 1927, bem como a repressão que se seguiu. A exposição explica que ali fracassou a estratégia, inspirada na soviética, de fazer a revolução a partir das grandes cidades.

Detalhe: em 1928, 160 militantes do Partido vão para Moscou, realizar ali o 6º Congresso do PCCh. Mao não vai.

Nesse mesmo ano de 1928, a exposição retrata o encontro das tropas lideradas por Chu Teh e por Mao Zedong. A partir de então, o partido constitui “zonas liberadas” em trinta regiões diferentes. Ao mesmo tempo, em 1929, o Partido formaliza que é o Partido que lidera o Exército.

Em 1931 o Japão ataca a China. Começam aí os 14 anos da guerra contra o Japão. Mas o Kuomitang está mais preocupado em cercar e exterminar os comunistas, numa ofensiva que obriga os comunistas a fazer uma longa fuga, denominada com o nome mais heróico de “longa marcha”.

A longa marcha merece um grande destaque na exposição, com direito a filmes da época, bem como vídeos com animações reproduzindo combates decisivos.

Destaca-se que foram transpostas 40 montanhas, com 4 mil metros de altura. Uma curiosidade: os filmes exibidos, feitos na época, foram exibidos para quem? Os guias do Museu não souberam responder.

Em 1936, o PCCh propõe ao Kuomitang, novamente, a constituição de uma Frente Única contra os japoneses. E, a partir de 1937, começa uma guerra total dos japoneses contra a China.

A previsão dos japoneses era que em três meses conquistariam o antigo Império do Meio. Não foi o que aconteceu: por longos anos, o Japão teve que manter imensos exércitos, para poder enfrentar os chineses.

Data deste período uma foto muito interessante: a de um pelotão de soldadas. Mas, de maneira geral, era muito diminuta a presença feminina entre os quadros dirigentes do PCCh.

Também desta época (1943) é uma foto do pai de Xi Jinping. Os responsáveis pela museografia incluíram pelo menos duas fotos do pai de Xi, que foi combatente nesse período e, depois, integrante do Comitê Central do PCCh.

A exposição também destaca:

1 – O sétimo congresso, de 1945, que inclui o pensamento maozedong no estatuto do Partido;

2 – A retomada de Taiwan, até então sob controle japonês, para o controle chinês;

3 – Os acordos de paz entre o Kuomitang e o PCCh, acordos rompidos pelos nacionalistas;

4 – A importância da reforma agrária para a vitória da revolução;

5 – As grandes batalhas da guerra civil;

6 – A atitude respeitosa do Exército Popular de Libertação, para com os civis;

7 – E, finalmente, a Proclamação da República Popular da China, em 1º de outubro de 1949.

Sobre a proclamação, a exposição tem várias perólas.

Uma delas é o filme do ato de 1º de outubro de 1949. Até 2019, acerca daquela data célebre, os chineses tinham um filme em preto e branco. Mas, em 2019, os russos presenteiam os chineses com uma versão colorida do filme.

Outra pérola é a exposição dos diferentes estudos que foram feitos, para decidir qual seria a bandeira da República Popular da China. A versão escolhida tinha, originalmente, uma foice e um martelo dentro da estrela maior. Mas, depois, se optou por retirar a foice e o martelo.

Finalmente, o conhecido discurso de Mao, proferido com um sotaque que – nos disseram os guias – não era fácil de ser entendido. Mas tudo indica que todo mundo entendeu a frase celebre dita por ele: “A China levantou-se”.

Na continuidade, os três outros períodos (1949-1978, 1978-2012, 2012-2024).

Parte 7

O prédio do Museu tem muitos andares. A exposição sobre a História do Partido ocupa três andares. Um andar é dedicado ao período 1921-1949. Nele, o pai de Xi Jinping aparece a primeira vez.

Outro andar é dedicado ao período 1949-2012. Nele, há uma foto de Xi Jinping e de seu pai.

Um terceiro andar é dedicado inteiramente ao período iniciado em 2012, com a eleição de Xi Jinping para a Secretaria Geral do Partido.

Mas voltemos a 1949.

Logo no início, há uma grande tela, onde fica sendo exibido um filme sobre a solenidade realizada dia 1º de outubro de 1949. Um detalhe interessante é que o filme é colorido: foi doado pelos russos em 2019.

Antes, os chineses só tinham um filme preto e branco. No filme, aparecem os líderes do PC e dos oito partidos que integram o Conselho Político Consultivo do Povo Chinês, na sacada da entrada principal da Praça da Paz Celestial.

Num espaço próximo, está o uniforme usado por Mao na solenidade. Aliás, isto se repete em outros momentos: a exposição de roupas, chapéus, armas, outros utensílios utilizados pelos militantes que aparecem nas fotos. O traje mais onipresente é aquele que ficou conhecido como “túnica Mao”, uma das marcas registradas da revolução chinesa.

Em seguida, vem as fotos do estabelecimento de relações e da assinatura do tratado de amizade com a URSS, ocorridos em outubro de 1949 e em fevereiro de 1950, respectivamente. Salvo engano, não aparece no Museu nada que remeta para a ruptura de relações entre China e URSS, ocorrida ao redor de 1960.

Se dá destaque para a participação chinesa na Guerra da Coreia. Aliás, há dois filmes recentes sobre o tema: A batalha do lago Chanjin e The Volunteers: to the War.

Salvo engano, não há nada sobre a guerra entre China e Vietnã, em 1979.

A exposição lembra a aprovação da Constituição da China, em 1954, assim como dá destaque a cada um dos congressos realizados pelo Partido. Há diversas passagens mostrando os progressos sociais e econômicos vivenciados pela China depois de 1949, desde os carros “Vento Leste” e “Bandeira Vermelha”, passando pela exploração de petróleo e o regresso, ao país, de cientistas dispostos a colaborar com a reconstrução da pátria.

Há uma estátua de Lei Feng, o revolucionário modelo, falecido aos 22 anos, que serve de inspiração para um dia especial em que todo militante deve estudar a respeito.

A grande revolução proletária merece uma menção minimalista, que, salvo engano, não inclui, nem lá nem em nenhum outro lugar, a Gangue dos Quatro e a Madame Mao. Mas têm destaque as visitas de Nixon e de Kissinger, assim como a participação de Deng Xiaoping na Assembleia Geral da ONU.

Em 1976, morrem os três grandes: Chu Teh, Chu Enlai e Mao Zedong. Em 77, as Universidades reabrem matrículas. E, em curto espaço de tempo, Deng assume o comando político do Partido, embora nunca tenha sido secretário-geral.

Inúmeras fotos e frases suas ocupam espaço importante na exposição. Entre elas, algumas que não combinam nem um pouco com a imagem, tão difundida no Ocidente, de que Deng seria um “revisionista”. Por exemplo, os quatro princípios destacados por Deng eram: persistir no caminho do socialismo, persistir na ditadura do proletariado, persistir na liderança do Partido Comunista, persistir no marxismo e no pensamento 
maozedong.

Destaca-se a terceira sessão plenária do oitavo Comitê Central, onde foi aprovada a política de reforma e abertura. E, também, o congresso realizado em 1982, que aprovou a consigna do socialismo com características chinesas.

Destaca-se, também, o papel que a produção de alimentos teve para o êxito das reformas.

Nada é dito sobre os “Incidentes na Praça Tianamen” (episódio conhecido no Ocidente como o “massacre” da Praça da Paz Celestial. Tampouco se faz referência ao Zhao Ziang, secretário-geral às vezes denominado de “Gorbachev chinês”, que, em 1989, foi preso e mantido em prisão domiciliar até sua (dele) morte.

A exposição pula direto para Jiang Zemin, sob cuja gestão a China recebeu de volta Hong Kong (1997) e Macau (1999), assim como entrou na OMC.

Depois vem Hu Jintao, sob cujo governo se concede isenção total, ou seja, desde então e até hoje não pagam impostos.

Então vêm as Olimpíadas, a crise internacional e… a eleição de Xi Jiping, que dá início ao quarto e último período em que está dividida a história da República Popular da China.

Esta parte tem memos museografia histórica e tem mais propaganda. Fala-se dos congressos realizados no período, da vida melhor para o povo, da revitalização da nação chinesa, do sonho chinês, da Rota e Cinturão da Seda, da comunidade de futuro compartilhado, da reforma militar, da civilização ecológica, do BRICS, da erradicação da pobreza extrema. Além de uma overdose de fotos de Xi Jinping. E de muita ciência e tecnologia na veia, sendo que uma boa parte dos produtos demonstrados são militares.

A exposição, cuja visita a passo rápido dura cerca de duas horas, termina com Xi Jinping fazendo um discurso, devidamente fardado com a “túnica Mao”.

Quem não entendeu o recado, volte para o princípio!

(*) Os textos foram publicados originalmente no site da Fundação Perseu Abramo. Disponíveis aqui:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

justin tvmarsbahisjojobetjojobet girişPusulabet betsmovecasinowon girişmarsbahisbahsegelmavibetHoliganbetjustin tvikimisliperabetgrandpashabetbullbahis girişbahis forummarsbahiscasibominterbahisbursa escortbursa escortdoedagrandpashabetmarsbahiskingroyalkingroyalmatbetgrandpashabettambetmatbetsmartbahissmartbahisimajbetpusulabetcasibomcasibom girişbetpercasinoroyalbetsalvadorpalacebetbahiscasino1winromabetgameofbetradissonbetgameofbetgrandpashabetimajbetgrandpashabetsekabetmatbetmatbetholiganbetbetsalvadorcasinowonsahabetbetplaycasinowonnesinecasinonesinecasinowbahiswbahisjojobetwbahiswbahisholiganbetjojobetholiganbetjojobetCasibomimajbetKingroyalPusulabet Pusulabet royalbetbets10 girişsuperbetincasinoperbetnanocasibomcasibom girişvdcasinomarsbahisperabetdeneme bonusu veren yeni sitelerikimisliikimisliJojobetJojobetbetplay girişCasibom GirişCasibomjojobet dinamobet girişdinamobet vipjojobet giriş güncelJojobetJojobethttps://google3.comHoliganbetsekabet girişCasibomCasibomsetrabettotem casinogoley90teosbetSloganbahisKingroyalGrandpashabetholiganbettaraftarium24eskort marmarispusulabet güncel girişholiganbetbets10ExtrabetExtrabetExtrabetExtrabetgalabetroyalbetcasino apiamgbahisbahsegeltaraftarium24TruvabetperabetBelugabahismeritkingsuperbetinmobilbahiskralbetdeneme bonusubetofficebovbetmatadorbetmatadorbetmatadorbetmatadorbetjojobetenjoybetbetnanobetplaygrandpashabetavvabetavvabetavvabetmilanobetmarsbahis giriştaraftarium24holiganbet girişamgbahisbetlikebetciograndpashabet girişmatbet güncel girişpusulabet giriş